Cyberpunk
Bruce Bethke é conhecido como criador do termo "Cyberpunk", que apareceu pela primeira vez em seu conto de mesmo nome, publicado em 1980. Segundo ele, tentava criar um novo termo que carregasse a justaposição de atitudes punk e alta tecnologia. Mas quem deu verdadeiro sentido à palavra foi William Gibson com seu Neuromancer, em 1984. O livro praticamente define o gênero cyberpunk e introduz muitos dos conceitos usados hoje pra discutir a internet e o cyberespaço. Na época, Mike Swanwick argumentou que os escritores do movimento deveriam ser chamados de "neuromanticos", visto que muito do que eles faziam era claramente uma imitação do Neuromancer. Apesar disso, Gibson não deve receber o crédito sozinho. Muitos outros escritores deram contribuições válidas ao movimento. Até mesmo escritores anteriores à essa época, como Anthony Burgess (Laranja Mecânica), foram importantes antecedentes ao que se tornou conhecido como ficção cyberpunk. Bruce Sterling também ficou famoso pelo seu prefácio da coletânia de contos de ficção científica Mirrorshade que se tornou o manifesto oficial do Movimento Cybepunk.
O cyberpunk é um sub-gênero da ficção científica. Trata-se de uma visão obscura e pessimista do futuro, onde há um super desenvolvimento da tecnologia, a industrialização poluiu a terra até um estado quase inabitável, o abismo social é imenso, a violência aumentou espantosamente, a autoridade governamental é controlada por corporações multinacionais corruptas que se importam muito pouco com qualquer coisa que não seja seu lucro. Os heróis cyberpunk, nem sempre tão heróicos assim, vivem desesperadamente tentando melhorar a sociedade, diferente das outras pessoas, que vivem em um estado de aceitação e submissão silenciosa. Embora a luta desses heróis não seja aberta, e sim uma luta de cada dia, através do comportamento, de não aceitação das decisões que as corporações tomaram por eles.
O mais importante aspecto do cyberpunk, porém, é o cyberespaço. Um mundo onde computadores ligados em rede dominam todos os aspectos da vida cotidiana, onde muito da ação se ambienta virtualmente - a fronteira entre o real e o virtual fica embaçada -, e tudo é controlado pelas grandes corporações. Um ponto típico (mas não universal) do gênero é a ligação direta entre o cérebro humano e sistemas de computador, possibilitando a transferência de dados. A inteligência artificial e a presença de partes do corpo humano eletrônicas (cibernética) também estão presentes.
Além da literatura, a cultura cyberpunk também está presente no cinema. Blade Runner está para o cinema assim como Neuromancer está para a literatura. Exemplos dos inúmeros filmes deste gênero incluem Minority Report e a trilogia Matrix. O sucesso do cyberpunk também atingiu os video-games e RPGs.
O mundo cyberpunk pode parecer distante, mas frequentemente é visto como uma metáfora exagerada do que vivemos hoje em dia. O controle das corporações e multinacionais capitalistas sobre as pessoas, a corrupção nos governos, a alienação, a vigilância tecnológica, os "carros pensantes" nos mostram que a realidade cyberpunk não está tão distante de nós. Usamos controles remotos, relógios digitais, leitores a laser, cartões de plástico para guardar informações. E estaríamos com sérios problemas sem a eletricidade.
Sara Brito
Muito legal o texto, mas só uma observação: o futuro cyberpunk não é necessariamente distópico, embora suas origens remontem a esse tipo de tema. Minority Report, por exemplo, é cyberpunk, mas os contrastes sociais não são a premissa, nem um mundo arrasado pela industrialização. Outro filme, Show de Truman, pode ser considerado cyberpunk, pois discute a invasão de privacidade levada ao extremo, devido a um aparato de controle absoluto. Basicamente, então, seria a discussão sociológica da tecnologia invadindo a vida do homem. E não se trata apenas da tecnologia hard, mas também de drogas sintéticas, música hipnótica e outras viagens...
ResponderExcluir(deu pra notar um fan mode nesse comentário, não deu?)