quarta-feira, 12 de maio de 2010

Micro-blogging




Micro-blogging

Hoje em dia, vivemos a era do ontem. Não que nós nos encontramos como "atrasados" socialmente ou "retardados" tecnologicamente; muito pelo contrário. Vivemos a Era do Ontem porque nada pode ser deixado de lado, nada pode ser adiado, tudo tem de ser rápido, eficiente e simples. Não para amanhã, não para hoje: para ontem.
Com tanta informação, tantas possibilidades de se apreender - de certa forma - conhecimento, surgiu a necessidade de sermos mais rápidos; para isso, surgiu o e-mail. Logo em seguida, queríamos ser simultâneos; então, foi a vez dos bate-papos e do Msn Messenger. A velocidade permaneceu a mesma, mas o que teve de mudar foi o modo como a informação era transmitida. Os textos longos eram para os leitores mais antigos; os mais novos não queriam perder tempo se podiam ter acesso a mesma informação com 140 caracteres.
Foi aí que surgiu o micro-blogging. E foi aí que o Twitter popularizou-se em larga escala.

Micro-blog, como o nome já demonstra, é o mesmo que blog, exceto mais curto, com menos quantidade de palavras e mais sucinto. Todas as características de um blog são encontradas nele: a postagem de textos de autoria própria, os comentários pelos leitores e o controle por parte do criador do blog ao decidir quem lê o que ele tem a dizer. Em uma era onde ser rápido é vital, o micro-blog definitivamente veio para ficar. Inclusive, muitos hoje em dia são donos de micro-blogs apesar de não se darem conta; o SMS entra nesta lista, pois são poucos caracteres, rapidez inigualável e conteúdo tão bom quanto qualquer outro.

O grande responsável por essa necessidade de comunicação em poucas palavras foi o celular. Com seu advento e com a Comunicação Móvel, o celular tornou-se um dos principais instrumentos para a vida no século XXI. É prático, pequeno e a grande maioria da população mundial possui um. Entretanto, para não ir de encontro à sua funcionalidade, o teclado é pequeno e não tão eficaz para textos longos. Por isto, cada vez mais informações e notícias são expedidas em menos tempo, não necessitando mais do excesso de palavras em uma notícia usual.

Twitter, o mais conhecido da blogosfera, mistura um pouco do blog pessoal - primeiro significado usado para a expressão "micro-blogging" - e de utilização mínima de palavras, inclusive com um limite estabelecido que só pode ser atravessado com o uso de outros aplicativos. Com a frase "O que você está fazendo agora?", o objetivo desta mais nova rede social é meramente ser transmissor de ações banais do dia-a-dia. Ou pelo menos era. Ele foi tomado por perfis de políticos, fazendo auto-propagandas, de humoristas, fazendo rir, de jornalistas e até jornais e revistas, mostrando o básico da informação com um link para a notícia completa. Falou-se sobre censura na época da eleição no Irã, onde o mesmo foi intensamente criticado através do micro-blog, por pessoas de todos os continentes como nunca antes visto.
Apesar de ele ser o mais conhecido, existem outros, como o Jaiku. Este possui um layout ainda mais parecido com o do blog pois permite a postagem de comentários em cada um dos comunicados que você passa, coisa que não existe no mais famoso. Interessante, pois o Jaiku foi lançado alguns meses antes do seu concorrente, que chegou atrasado e conseguiu toda a glória e fama.

A utilização de micro-blogs, entretanto, tende a geração de um novo modo de falar. Empregando-se de frases curtas, sem muito aprofundamento, a utilização destes meios sociais inclina para um fenômeno de "escrever-se como se fala". Na fala oral, temos a propensão de nos comunicar com muitas frases, embora não muito longas, e com pouco teor. A chegada dos micro-blogs não deixa dúvida: sua usabilidade é intensa e eles vão continuar sendo largamente usados por figuras públicas até civis. Entretanto, há uma preocupação geral que isso ocorra na escrita, pois, como se diz o ditado, "a pressa é inimiga da perfeição". Com o poder do Twitter e de outras redes sociais micro, não é de se admirar que "a febre" vire a norma. Resta se vai ser tão ruim quanto os linguistas e intelectuais ortodoxos estão pensando.


Mariana Nântua

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