quarta-feira, 12 de maio de 2010

Cauda Longa



Diferentemente do que se pode pensar, o conceito de Cauda Longa, utilizado, pela primeira vez, na revista Wired, em 2004, e posteriormente transformado em livro por Chris Anderson, ex-editor da revista, abrange não só o âmbito tecnológico, mas também o campo da economia e da dinâmica social. Ao expor as forças que regem o mundo das vendas de produtos físicos e de produtos culturais, o fenômeno da Long Tail promete modificar as estruturas convencionais do mercado mundial.

Para se entender minimamente o que significa Cauda Longa, deve-se, primeiramente, fazer uma viagem no tempo até a metade do século XIX. Lá, teve início uma prática da economia industrial na qual um modelo de um produto era criado e, a partir daquele protótipo, vários outros iguais a ele seriam confeccionados. Uma cadeira, por exemplo, era criada e iria servir de molde, de modelo para a construção de outras cadeiras idênticas a ela. Esse sistema, chamado de Mercado de Massa, perdura até a atualidade, porém apresenta alguns problemas como o alto custo o qual a criação de um modelo e a distribuição de suas cópias possuem, o que se reflete no alto valor do produto ao chegar na mão do consumidor. Como uma grande quantia financeira precisa ser investida para que um objeto desse fique pronto, a sua produção só será vantajosa se muitas pessoas o comprarem, do contrário, fabricá-lo representará um prejuízo.

Desta forma, aquelas mercadorias que são mais procuradas pelos consumidores são também as mais produzidas e as que dão mais lucro. Elas são chamadas de hits e, se um cachorro for imaginado, estariam na cabeça desse animal. Quanto mais longe da cabeça do cão, e mais próximo da cauda, um produto desejado por um consumidor estiver, ou seja, quanto menos popular aquela mercadoria for, mais cara sairá para o comprador, pois ela continua tendo um alto custo de produção, mas poucas pessoas querem a adquirir.

É exatamente aí que a Internet entra e modifica todo o cenário do Mercado de Massa e da Indústria Cultura o qual vem sendo mantido a mais há 150 anos. A rede mundial de computadores diminui drasticamente os custos tanto da produção de um modelo do produto, quanto da distribuição de suas cópias. Assim, não mais interessa se uma mercadoria é um hit ou um não hit, porque ela sempre terá praticamente o mesmo baixo valor investido na sua produção e distribuição. Logo, aquele comprador que quiser ter um produto menos convencional não precisará mais pagar muito caro.

Contudo, em uma recente matéria da revista INFO, a locadora norte-americana de filmes digitais Netflix afirmou que a teoria da Cauda Longa não funcionou tão bem com ela. Segundo a reportagem, os filmes considerados hits continuaram sendo os mais vendidos e os títulos “obscuros” não se configuraram frequentemente como uma opção para os consumidores. A explicação para esse acontecimento pode estar em um fato que ocorre bastante na maioria das lojas: os produtos mais vendidos são os mais exibidos e, por serem os mais mostrados, acabam sendo os mais procurados. Esse ciclo vicioso provavelmente está presente na locadora.

A Cauda Longa é um fenômeno relativamente novo e precisa ser estudado. Isso porque ele não só representa uma das várias revoluções provocadas pela Internet, mas também significa a possibilidade de haver uma diminuição da promoção viciante e alienante de certos produtos os quais se encontram em alta no mercado de hoje.

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