quarta-feira, 12 de maio de 2010

OS VIRAIS

Luiz Filipe Freire

Rapidez, diversidade, interatividade. A Internet é uma porta aberta para a divulgação de um vasto material possível de ser acessado em qualquer parte do mundo. Entre esse conteúdo, estão os vídeos, muitos deles bastante populares na rede mundial de computadores por retratarem uma situação diferente, muitas vezes inusitada, engraçada, que prende a atenção do internauta por alguns minutos, ou até ínfimos segundos. A esses vídeos que se tornam “febre” na Internet costuma-se chamar de virais.

Pessoas que antes viviam no anonimato se tornaram verdadeiras celebridades depois que os vídeos em que aparecem fazendo algo inusitado caíram na rede. Susan Boyle, a mulher de meia idade que impressionou a todos, num show de calouros, com a sua belíssima voz, em 2009, é um dos mais recentes exemplos. A piauiense Stefhany, que teve um de seus videoclipes musicais amadores postado no YouTube, hoje já faz shows por todo o Brasil. Solange, conhecida como a gaga de Ilhéus, fez sucesso com seus vídeos; hoje, é contratada da Rede Record para atuar em programas humorísticos da emissora. E esses são poucos nomes da imensa lista de casos parecidos.

Entretanto, nem sempre a fama vem para os “protagonistas” de um vídeo de sucesso, pelo menos não da maneira como aconteceu com Susan Boyle, Stefhany e Solange. Isso porque esses indivíduos são dos mais diversos tipos, desde bebês dando risadas engraçadas até aventureiros que se arriscam em manobras radicais (e quase sempre caem). O que vale mesmo é a criatividade, aliada a um conteúdo de impacto, que chame a atenção, que leve os internautas a querer mostrar o vídeo para seus amigos, espalhando-o, assim, pela rede.

Mas, vale lembrar que o termo “virais” não só se enquadra para vídeos. De maneira geral, costuma-se chamar de viral tudo o que se espalha com facilidade pela Internet, como se de fato fosse um vírus. O vocábulo já diz tudo: “gera uma febre”, “contamina”. Existem, inclusive, estudos sobre o marketing viral, de forma que várias empresas têm investido na ideia de divulgar seus produtos dessa forma tão criativa, eficiente e gratuita. Ou seja, de uma forma ou de outra, o marketing viral está associado à divulgação de vídeos, o que nos leva a reconhecer que o termo é majoritariamente empregado nesse âmbito, mas sem esquecer de que o mesmo pode ter um sentido bem mais abrangente.

Outra característica bastante interessante de se analisar nesse tema é a questão da rapidez proporcionada pela Internet, fator essencial para que esses vídeos virais se espalhem com agilidade e, em pouco tempo, alcancem milhões de visualizações. Tal rapidez só é possível atrelada à existência das redes sociais, que, como verdadeiras teias de aranha, interligam o mundo todo e fazem de um vídeo um grande sucesso. É importante ressaltar, a partir disso, que há virais que viram “febre” de acordo com certos limites geográficos, devido a diferenças culturais, da língua, etc. Um vídeo de Solange (“a gaga de Ilhéus”), por exemplo, não faz o menor sentido para alguém que mora fora do Brasil e não sabe português, visto que o humor da gravação consiste justamente no quanto a personagem se atrapalha ao falar diversas palavras da Língua Portuguesa. Já o famoso vídeo de Susan Boyle se revelando como intérprete musical, através de recursos como legendas para quem não entende inglês, teve inteiras condições de se difundir pelo mundo e de se consagrar como sucesso na rede.

Portanto, é interessante que o fenômeno que ocorre em torno dos virais seja entendido e observado mais de perto, afinal, é uma realidade difícil de ser ignorada por quem vive conectado à Internet. Vez ou outra surge um novo vídeo engraçado ou, no mínimo, interessante de alguma outra forma, e que merece que percamos alguns poucos minutos vendo seu conteúdo. É bem verdade que não tem como saber se um determinado vídeo vai se tornar “febre” na Internet. É algo que simplesmente acontece a partir de “ingredientes” que ainda estão sendo estudados, apesar de já sabermos alguns, como a criatividade. Mas, uma coisa é certa: basta ser algo diferente de quase tudo o que as pessoas já viram na vida, seja na TV ou na própria Internet.

Abaixo, um vídeo sobre o tema.

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