A ‘Era Digital’ e todas as suas inovações tecnológicas provocaram diversas mudanças na vida do homem contemporâneo, que, por sua vez, implicaram em alguns transtornos, entre eles o lixo eletrônico.
Conseqüência do consumo cada vez mais veloz de produtos eletro-eletrônicos, esses resíduos não encontram, em maior parte dos casos, uma destinação adequada. Ao serem descartados em ambientes não preparados, podem contaminar o solo, a água e o ar com substâncias como alumínio, mercúrio e chumbo, tornando-se, então, um problema de saúde pública.
O volume crescente desses resíduos deve-se principalmente ao consumo acelerado e ao pouco tempo de aproveitamento dos aparelhos. Ao serem produzidas novas tecnologias, a mídia cria uma idéia de que os aparelhos que possuímos já estão ultrapassados, incentivando a corrida pelo consumo. O consumidor, por sua vez, muitas vezes não possui informação aprofundada do assunto e ignora as ações das empresas nesse sentido, acabando por contribuir com o ciclo de consumo/descarte de eletrônicos.
Se o consumo e o descarte são o lado mais perceptível do problema, a produção não é menos relevante quando o assunto é lixo eletrônico. Os fabricantes muitas vezes se utilizam de matérias primas e mão-de-obra de grande impacto ambiental e social. Há também os resíduos produzidos durante a fabricação, comumente exportados para países como China e Índia, onde são manipulados por trabalhadores em condições insalubres.
Contrariando a maioria, algumas empresas já demonstram interesse em diminuir esses impactos negativos. Ano passado a Samsung lançou o Reclaim, modelo de celular feito com cerca de 70% de material que pode ser reciclado e mais biodegradável e a Dell, segunda maior fabricante de computadores pessoais do mundo, baniu a exportação de resíduos eletrônicos para países como China, Índia e Paquistão e se comprometeu a não terceirizar o processo de reciclagem a empresas que utilizam mão-de-obra infantil.
Mas o mais animador talvez seja o EcoATM, ainda em fase de testes nos Estados Unidos. Nessa máquina deposita-se o aparelho inutilizado, ela avalia sua composição e em seguida emite um vale que pode ser usado para ajudar uma cooperativa de reciclagem ou como desconto na compra de um novo eletrônico.
Além das iniciativas de alguns fabricantes, há ainda ONGs e projetos sociais voltados para a diminuição dos impactos causados pelo lixo eletrônico. O Greenpeace possui uma publicação chamada Guide to greener eletronics, que monitora as ações das grandes empresas de eletrônicos nesse sentido. A rede MetaReciclagem promove uma lista de doadores de eletrônicos e interessados, ampliando o tempo de utilização dos aparelhos e promovendo a inclusão digital.
No Brasil, foi aprovado pela Câmara dos Deputados o projeto da Política Nacional dos Resíduos Sólidos. Esse projeto, entre outras especificações, determina a chamada ‘logística reversa’, que responsabiliza os fabricantes pela coleta dos seus produtos descartados. Ele deverá ainda passar pelo Senado e ser sancionado pelo presidente.
Antes mesmo da reciclagem, muita coisa pode ser feita: aproveitar-se ao máximo os aparelhos eletrônicos por meio de doações, por exemplo. Mas o problema do lixo eletrônico ainda é de pouco conhecimento da população em geral e quanto mais informações sobre o assunto, mais pode ser feito em benefício da sociedade e do meio ambiente.
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